Home Data de criação : 07/05/06 Última atualização : 10/03/18 00:37 / 186 Artigos publicados
 

Nós ocidentais, e os norte-coreanos  (Meus textos) escrito em sexta 29 maio 2009 11:58

 

Assim como os norte-coreanos, nós ocidentais, nos vangloriamos por sermos o que somos, julgando-nos melhores e menos alienados, achando que temos uma liberdade de fato, e que não temos concepções baseadas numa esfera milimétrica.

Aqui, cumprimos tarefas seculares, temos uma dita “escolha” para seguirmos o que queremos, que na essência não é usada, decorrido pela preponderância, lá não, o totalitarismo sanguinário do “Grande Irmão” é que estipula tudo, construindo as estradas que outros caminharão, e os seres, achando que comandam sua direção.

Nos em nossas escolhas, quase nunca a fazemos com a liberdade que de fato nos traria o prazer de fazer o que realmente queremos, mas na maioria das vezes, se pauta, consciente ou inconscientemente, na influência imposta pela sociedade, cultura, que somos interseridos.  E assim, seguimos no labor diário, achando que estamos dignificando o ser, e encontrando o sentido e a felicidade de todo esse viver.

Mas no fundo, mesmo que insistamos em negar, descortinamos apenas o vazio, e roboticamente seguimos nossas vidas sem termos a coragem de nos auto-controlar, para enfim, construirmos nossas próprias estradas, tortuosas ou não, podendo ou não, serem trilhadas de forma solitária, sem pragmatismo, encontrando o doce sabor da vida.

Pois nossa pequena diferença em relação aos norte-coreanos, é que aqui, trata-se de pura

comodidade,

                         Facilidade,

                                                  E adequação,

e lá,  nas cortinas que separam culturas, que despencam falácias, se abertas; exprimir-se-ão,      

              obrigatoriedade,

                                                monstruosidade,

                                                                                          e dominação.

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Gotas de um vinho  (MInhas Poesias) escrito em quinta 07 maio 2009 20:38

(Baco, deus do vinho)

Michelangelo Merisi nasceu em Caravaggio, Itália, no dia 28 de setembro de 1573. Foi apelidado de Caravaggio depois de adulto em referência a sua terra natal.

 

O dia me pede um verso.

noite de sexta-feira, 

                                      eis que me têm.

 

Capital das minas gerais,

Da varanda em seu chão,

                                              activo em desdém.

 

As fumaças que sopro

Querem tampar minha visão,

                                                    numa menagem.

 

As folhas nas arvores.

Vós, ó malévolas...

                                      também.

 

O algodoeiro sob a atmosfera.

Beldade física e de sentido malquerente...

                                                                              idem.

 

Mas tu, ó gotas de um líquido tão tinto,

Perscrutando minha corrente metafísica... 

                                                                                                      vão além.

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Uma escrivaninha “abandonada” no museu de Guimarães Rosa  (Meus textos) escrito em segunda 27 abril 2009 16:45

 

 

Num domingo do mês de abril, quando estava em Codisburgo, na casa de um grande amigo, fui ao museu de Guimarães Rosa, acompanhava o Rodolfo e a Ruth, sendo que o primeiro fora até este para pegar sua bolsa, e assim, retornarmos à Belo Horizonte.

 

Na porta do museu, que é assentado na casa onde o escritor quando menino morou, postei-me a observar sua estrutura física de uma época já antiga, e que remetia aos olhos os tempos de meus avôs e das “molecagens” de Guimarães.

 

As portas e janelas de madeira, as hastes na parede que traziam luz, o conjunto em si embelezavam a mente na percepção da beldade vetusta, isso, me deixou com um ar de inveja, por só agora ter estado ali.

 

Já no interior, aproveitei para vasculhar um pouco sobre a vida do autor. Contemplei fotografias antigas na parede, em seu quarto, a cadeira de balanço que embalava sua imaginação, a cama onde muitos sonhos repousaram e na mesinha que avistei ao lado, as gravatas que o engomavam, no outro canto, o armário onde seus ternos descansavam.

 

Mas coleando pelos cômodos, cheguei até uma salinha onde havia uma mesa, toda de madeira, grande e de extrema lindeza, na parede só pude observar um quadro que expunha o certificado da Academia de Letras do escritor, e a data a qual este virou “imortal”, 16 de novembro (lembro-me bem desta pelo fato de se tratar do meu dia de anos). No mais, nada prendia meus olhos, pois o ar de mistério daquela escrivaninha planava por quatro paredes, e vestígios de ocultação me chamavam à atenção.

 

Pus-me a rodear aquela mesa, objeto que pertencia a sua biblioteca de seu apartamento no Rio de Janeiro, quando de repente bafejam em meus ouvidos: Foi em cima desta mesa que o encontraram morto!  E mais tarde, já em Belo Horizonte, vim a descobrir que ele foi encontrado debruçado e já falecido pela neta, no dia 19 de novembro de 1967 na “cidade maravilhosa”, morte que adveio de um malfeitor anti-literário, o infarto. 

 

Quando fiquei a sós no recinto, e de olhos presos em indagações de tudo que se passara naquela mesa e cadeira, notei que lágrimas escorriam da madeira, mas não eram lágrimas de tristeza pela morte do poeta, mas de saudade dos velhos tempos em que ela e o escritor eram grandes amigos, dos tempos em que os estros de Rosa eram em sua companhia transcritos, dos tempos que servia de aconchego para embalar devaneios. O poeta havia lhe abandonado, estava ali deixada às traças, e nem um outro, ousou até então, lhe dizer um poema, lhe contar uma estória, para acalentar seu pobre coração que aparava-se em desespero e agonia.

 

De olhos tomados pela emoção, sentia que era meu dever, não podia deixar uma agonia perdurar por mais de 42 anos, então, fui à busca nos bolsos de minha calça de um poema, era impreterível, e na minha mão, meu poema - Guimarães Rosa vive em odoríferas rosas - surgiu, e foi quando comecei a recitar que a grande Rosa, de minha boca, baforejava aquele aroma pelo cômodo e partículas de sua essência poética apascentava-se na superfície da vetusta madeira, e no reencontro com o poeta, enfim poderia viver em delírio.

 

Retornei para Belo Horizonte com um ar de tranqüilidade, pois o abandono, feito pela maldade do humano, havia sido suprido, não por mim, mas pela poesia que tinha a grande Rosa, pois nela, tinha um pouco de Guimarães Rosa.

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Guimarães Rosa vive em odoríferas rosas  (MInhas Poesias) escrito em quinta 23 abril 2009 20:47

 

Na terra de Guimarães Rosa,

Vi pessoas que pareciam uma rosa,

Vi pessoas que pareciam pétalas soltas de uma rosa,

Vi pessoas que pareciam espinhentas como uma rosa,

Vi pessoas murchas como fica uma arrancada rosa.

 

Mas também, vi pessoas,

                                           que tinham o perfume de uma rosa,

Pequenas e grandes rosas cálidas,

baforejando aos quatro cantos

                                           O aroma da grande Rosa,  

para assim, exprimir belas poesias

                                          de Guimarães Rosa.

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Pinceladas linguais  (MInhas Poesias) escrito em terça 14 abril 2009 15:00

 

Meu sexo,

é uma arte clássica,

pincelada com minha língua.

 

Esboço, cada contorno,

de seus lábios carnudos,

e gostosos.

 

Escorro por seu pescoço,

me sacio ao chegar,

em seus belos seios,

num infindável pincelar.

 

Ponho-me a desbravar,

todo seu corpo,

com esse pincel lingual,

para te envernizar.

 

Agora vou preparar,

todas as tintas,

em mim contida,

e buscar, o meu deliciar.

 

Chego enfim,

a flora de sua feminilidade,

e com pinceladas linguais,

pincelo até a extremidade.

 

E alcanço,

um infinito gozar,

para nossa obra,

emoldurar.

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