Sou vagabundo! E não venham me apregoar compromissos, não os quero, fiquem para vocês calculistas de mascaras semi – desconfiguradas. Já disse que sou um vagabundo, a descobrir a felicidade escondida bem no fundo de meu peito, gosto de sentir a preguiça no meu corpo, ouvir e ver a vida que passa por nossos olhos, gosto de me descobrir e de me perder, gosto de viver minhas incertezas, gosto de ir, gosto de ficar, gosto de gostar, gosto de não gostar, gosto da minha vida e gosta da desgraça que nela têm, gosto de felicidade, gosto de tristeza, gosto de ser sozinho, gosto de ser da companhia, gosto de contemplar nuvens, e não gosto de ofícios seculares laborais, gosto de mim, e tem horas que não gosto, gosto de ser indecifrável, gosto de pessoas que cometem infâmia, e não gosto de semi – deuses, gosto de ser o que sou e o que não sou, gosto de ser bobo e não gosto de ser esperto, gosto dos meus pais, e tem horas... que fico chateado, mas deixar de gostar é “ingostável”, gosto também, de apreciar água de beber (mas a água-vida, como dizia Tom e Vinicius), gosto por ser disperso, gosto da filosofia e da putaria de minha vida, gosto do lirismo comportado e do lirismo vagabundo, gosto de liberdade, mas também, gosto de ser escravo da poesia, e a esperar por ela me usar, e dessa escravidão, não quero saber de libertação. E não me culpem por isso, é assim que sou, é assim que não sou, e assim vou levando minha vida, e cada um que leve a sua.
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