(Foto do
primeiro encontro que tivemos na BIENAL DO LIVRO)
* (Na próxima postagem a
resposta do poeta)
Passado mais
ou menos cinco meses do nosso primeiro encontro, não havia recebido
uma resposta, fiquei triste, vários pensamentos passavam em minha
cabeça; que ele não tinha gostado ou que achará uma porcaria, ou
até mesmos, que não lerá nada. Mas após essa turbulência de
indagações decidira que não era hora de desistir.
Em seu site
(www.affonsoromano.com.br), no ícone agenda, pude ver que
retornaria em Belo Horizonte brevemente, agora para o lançamento de
seu novo livro – O Enigma Vazio – na casa Fiat Cultura.
Depois desta constatação, começara a orquestrar, para o dia que o
encontraria.
Desta vez
optei por levar os poemas imprimidos, e não em um disquete, como
havia feito na primeira vez. Encadernei-os, aproximadamente 17
poemas. Fiz uma capa onde tinha meu e-mail e endereço do meu blog.
E que o primeiro poema, seria: “As mulheres e poeta Affonso
Romano”.
Um dia antes
de sua vinda à Belo Horizonte, resolvi chamar meu amigo Rodolfo
para irmos juntos, e ele estava até animado, eis que no dia
seguinte, à tarde, quando eu ligara para confirmar, me disse que
não iria, pois tinha que fazer outras coisas.
O lançamento
estava marcado para as 19h30min, e após a desistência de Rodolfo,
comecei a desanimar, pois da minha casa até o local do encontro era
bem longe e não queria ir sozinho, rodava de um canto para o outro
na casa, e a dúvida martelava minha mente, ir ou não ir? As horas
passavam rapidamente, já havia escurecido, e eu, desnorteado. Num
certo momento, a realidade esbofeteou-me, me dizendo que se eu
queria, deveria ir atrás, e não esperar nada de ninguém. E
prosseguiu bafejando em meus ouvidos; siga seu caminho de longas
estradas, que na grande maioria das vezes serão trilhados sozinho,
se quiseres chegar o mais longe que puder, não pare, não desista,
seja forte, você pode e quer, levante e ponha-se a andar para
chutar as pedras que nos caminhos vierem a aparecer.
Depois de
inquietar-me o espírito, corri para trocar de roupa, pois já era
18h00min, e direcionei-me até o ponto de ônibus para embarcar em um
destino certo e necessário. Mas a realidade da cidade grande é
outra, fiquei ali a esperar, e a demora do ônibus me deixava
inquieto, pois sentia que chegaria atrasado. Já embarcado depois de
longa espera, pedi ao cobrador que me avisasse quando chegasse ao
ponto mais próximo da Casa Fiat Cultura. A viajem foi duradoura, e
em cada esquina que passava meus olhos procuravam desesperados os
letreiros públicos que informavam as horas.
Um pouco mais
para frente, o cobrador me chamou para me informar que poderia
descer no próximo ponto. Já fora deste, fiquei um pouco pasmado, a
rua um pouco escura, só de casas, maldição dos bairros da zona sul
mais afastados, e com papel em mãos que continha o número da Casa
Fiat Cultura, fui descendo a rua, procurando nas casas para saber
se a ordem numérica crescia ou decrescia, mas nas casas não havia
números, e depois de muito descer chego à esquina, para notar na
placa que estava completamente errado, pois os números decresciam,
e a vontade de xingar foi enorme, pois descer um morro a pé, e
depois descobrir que terá de subi-lo novamente e ir um pouco mais a
frente, deixa qualquer um que não está com carro um tanto quanto
furioso.
Comecei,
então, a subir, quando me passa pela cabeça o perigo de andar por
aquelas ruas escuras, pois ser assaltado era o que parecia faltar
para acontecer, e por estar já atrasado, decide sair em disparada,
logo eu que de preparo físico para essas proezas nada tenho.
Correndo, fui subindo aquele morro, e quando chego à porta da Fiat
Cultura, parecia que ia morrer, estava bufando que nem um boi,
suado, e quando fui pedir informação na entrada, a bela moça que
ali trabalhava logo percebeu meu cansaço e me disse: Calma! Pois
estava até com dificuldades para falar, e ela com um ar de piedade
e brincadeira, falou que deveria subir mais um pouquinho. Era uma
pequena rampa logo a frente.
Quando
cheguei ao auditório, para minha sorte não havia começado, e
enquanto Affonso ia se direcionando para ministrar tal palestra, eu
ia restabelecendo meu fôlego sentado na última fileira que dava
para ver tudo perfeitamente.
Estar ali era
magnífico, escutar belas palavras jogada ao vento pelo poeta, e a
escolha de pega-las era de cada um, palavras pequenas que em nós
floresciam e diziam cada vez mais. Toda aquela “raiva”
pelos percalços havia dissipado, pois podia ver a arte chegando com
suas canetas, tintas, pinceis, para criarem aquela sensação de
êxtase.
Mas foi mais
para o final da palestra que comecei a ter uma vontade de ir
embora, me rebelar, sair dali e voltar pra casa, era medo, que
adveio logo após o poeta dizer que todos achavam que são artistas,
e que na verdade, muitos não são, e dentre os que são, há os péssimos, os bons e os
excepcionais. Confesso que essas palavras ficaram em mim, e aí,
voltava às indagações, mostrar meus humildes textos para aquele
grande poeta, a crítica poderia ser forte. No prolongar da palestra
minha atenção ficava centrada em dois pontos, prestando atenção no
que era proferido e sua crítica sobre ser artista.
“Seja
homem rapaz, queres viver 80 anos para chegar ao fim e pensar que
poderia ter feito isso, aquilo, ou outra coisa, mas preferiu ficar
aí, sentado no sofá a esperar, sendo que a oportunidade de fazer
acontecer esta aí e de portas abertas, basta entrar; NÃO SEJA UM
CAGÃO!” Era meu consciente me alertando.
Após o
término da palestra, me levantei e fiquei em pé no fundo. As
indagações ainda permeavam-me, e do fundo fui vendo Affonso,
cumprimentando as pessoas, e direcionando-se para fora do auditório
onde seria distribuição de autógrafos para aqueles que tinham seu
novo livro. Ele passou próximo de mim antes de sair, pensei em ali
mesmo conversar com ele, pois eu não tinha adquirido seu novo
livro, mas notei que estava apreçado, e resolvi não
atrapalhar.
Ele se
posicionando na mesa para dar os autógrafos, enquanto a fila ia se
formando. E quando já estava extensa, é que pensei em entrar nela,
pois a vergonha tomara-me, por não ter seu livro, mas passei por
cima disso e direcionei-me para ela. Bem no fundo, comecei a passar
os olhos em seu tamanho, e percebi que era o único sem livro, e nas
mãos, apenas meus textos.
Atrás de mim,
duas mulheres, jovens beldades que despertavam ardor, com o livro
abraçado aos seios, e afoitas para o encontro com o poeta, enquanto
o tempo passava, elas iam falando de seus poemas, era sexo, o seu
tema preferido, meus ouvidos estavam nelas, e em cada recitação,
era um excitação compartilhada, elas despiam as palavras, banhavam
os versos, se entregavam aos braços das estrofes para em seguida
ajoelhar
aos poemas, e nas folhas deixarem pingos de tintas e
poemas.
Depois das
páginas gotejadas, faltava apenas um para minha vez, no momento em
que essa pessoa ia conversando com Affonso, eu ia reparando o
poeta, e comecei a ficar inquieto, um frio na barriga tomava conta
do meu ser. O senhor que com ele conversava, era insistente, e
conversou por tempos com o escritor.
Após sua
saída, fui chegando lentamente à mesa, lhe cumprimentei e já fui
logo despejando em sua face tudo que em mim estava contido por
meses, dizendo que havia encontrado com ele na bienal, e que
gostaria de mostrar um texto que tinha feito sobre, quando nesta,
em um café literário, ele lera um poema de sexo para as mulheres, e
que o poema que fiz, era sobre as mulheres sentindo seu poema, nas
palavras que adentravam seu ser e percorria toda sua corrente
sanguínea, numa erupção de desejos. E passando a folha lhe mostrei
a poesia.
Ele pegou
todos meus textos, e perguntou-me se tinha ali meu e-mail, eu
peguei de suas mãos e lhe mostrei na primeira página, muito
gentilmente disse-me que leria e responderia, agradeci, e despedi,
dizendo que esperaria ansioso pela resposta, fosse qual
for.
O encontro
foi rápido. Em seguida, reparando antes as mulheres novamente,
segui para rua, pois estava tarde e meu caminho de volta seria
perverso. Na saída perguntei ao porteiro onde tinha um ponto de
ônibus, que dava para o centro da cidade. Ele meio que com pena, e
como se pensasse, - coitado vai mofar ali -, mostrou-me o ponto
pouco acima. E pra lá segui.
No ponto,
notei que o estacionamento estava cheio, e por ali fiquei, pensando
quanto tempo ficaria naquele local, uma ou duas horas, enquanto
isso, as pessoas começavam a sair da Casa Fiat Cultura, e os carros
iam esvaziando. Após isso, desejei veemente, que alguém me
oferecesse uma carona, e se o tivesse feito, eu ia na hora. Uma
senhora, até me deu um tchauzinho, mas foi só. Pouco tempo depois,
não tinha nenhum carro ali estacionado. E mais abaixo via Affonso
Romano, saindo com duas senhoras, e virando a esquina para não mais
vê-lo.
Pronto,
estava ficando sozinho naquela esquina quase erma, até que o
porteiro me gritou dizendo para descer com os dois homens que
tinham saído dali, e iam pegar um ônibus mais abaixo, pois naquele
ponto não passaria mais nenhum na noite. Sem pensar, fui correndo,
me aproximei deles e juntamente fui descendo.
Discutiam
sobre a palestra. Eu intrometido, entrei na conversa, e me
perguntaram se eu tinha ido na mesma, e logo, fiz uma afirmação,
mas que o motivo de estar ali aquela noite, era o de mostrar meus
textos para quem eu admirava muito. Eles ficaram surpreendidos,
perguntaram se poderia ler um para eles, nesse momento, para nossa
sorte, o ônibus apontou e corremos para o ponto. Dentro deste,
tirei da mochila um, e com o veículo cheio, comecei a recitar. Eles
adoraram, e obviamente que fiquei muito feliz, mas o mais
inacreditável, logo em seguida aconteceu, eis que um deles me pede
um autógrafo no tal texto, fiquei totalmente se ação, e por um
tempo achei que era brincadeira ou coisa parecida, mas não, ele
falava sério, eu nem sabia o que escrever, e peguei o papel para
então escrever: Paulo um grande abraço, Fabiano Mafia.
Fiquei feliz,
e pasmado, nunca imaginava isto me acontecer.
Depois disso,
eles foram descendo em seus respectivos pontos, e eu continuei
minha jornada, e nas ruas da cidade meus questionamentos tomam
forma, agora, se eu um dia teria a resposta do poeta. Havia
momentos que pensava jamais recebê-la, pois já acontecerá uma vez,
depois acreditava piamente que ela viria. Mais cedo ou mais tarde,
a opinião dele viria, essa era minha esperança.
No
travesseiro, recopilava todo acontecimento, e em minhas quimeras,
criava possibilidades, voava pelas respostas que poderia receber. E
na carta eletrônica, quando chegasse, poderia estar um precipício,
onde trevas viam banhar meu sono, ou então, poderia vir pinceis
cheios de tintas coloridas, no incentivo para eu seguir meu
caminho, por estradas infindas, tortuosas e solitárias, para que
com meu estro poético, numa erupção vulcânica, jorrarem tintas a
desenhar primaveras nos campos sombrios.
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