Por que quero uma formação acadêmica? Eu não
sei por que a quero, pois na verdade ela não “forma”
ninguém, só cria cabeças inoperantes a executar tarefas
pré-moldadas, e isso, para mim não é nada.
Há tempos que desejo deixar esse navio ao
mar, mas há coisas que mesmo contra a vontade temos que ultimar.
Realmente não consigo compreender o porquê, mas contra a vontade
exerço, e de forma calculista, aproveito para usar essa
insatisfação para aprender, para crescer.
E é dia após dia, acordando em manhãs
chuvosas ou não, para meu caminhar de casa a faculdade, em um
intervalo poético de viagens metafísicas interligadas com o real,
no amparo de meus livros, minhas poesias e meu ensaio da vida, que
vou destapando minhas certezas e
incertezas.
Já em sala de aula, somente observo. Sentado
em minha cadeira, mas de “espírito” voando pelas casas,
apoiando sob minhas mãos um universo imaginário, calculo o que a
mim é considerável, e a parte disto,
componho.
Uso desse exercício acadêmico, para absorver
poucas coisas que me ajudam a forma-me homem. Ah... e como as
absorvo! Só tenho que agradecer aos professores que não me
ensinaram matérias, que não me ensinaram conhecimentos
determinados, mas a pensar entremeando o objetivo e o
subjetivo.
E assim vou tecendo meu caminhar, sereno,
livre, seguindo por estradas tortuosas, sem direção, sem
pragmatismo, conhecendo com atenção as coisas, e sem me preocupar
com o desconhecido, pois isso tudo é o que preciso, é o que me
alimenta. Podem dizer que é pura idiotice, mas, por favor, me
respeitam, são minhas idiotices, são minhas
necessidades.
Não quero viver uma vida por apenas viver,
quero sentir, quero gozar meu imaginário chocando-se com a
realidade, quero errar cada vez mais, saber das minhas estupidezes,
das minhas desumanidades envoltórias em meu ser, para, a partir
daí, errar cada vez mais, isso, é que me
formará.
Comentários